Anais de Evento

Fatores de risco para delirium hiperativo em pacientes adultos durante a internação em unidades de terapia intensiva

Viviane de Freitas Souto, MARIANA CALESSO MOREIRA, Carolina Schünke de Almeida, CASSIANO TEIXEIRA, MOHAMED FAYEQ PARRINI MUTLAQ

Em: Congresso Da Sociedade Brasileira De Psicologia Hospitalar, 10, 2015, São Paulo, v. 0, n. 0, p. 0-0.

Motivo: Produção Aluno PPG

Setor HMV: Iep Unidade de Educação Em Saude

Área da saúde: Psicologia

Resumo: Introdução: Delirium é uma síndrome frequente em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) e está associado a piores desfechos, como internação prolongada e piora da função cognitiva. Isto posto, o interesse no conhecimento dessa síndrome vem aumentando, porém são escassos os dados sobre fatores de risco associados à sua ocorrência em UTIs no Brasil. Objetivo: Verificar fatores de risco associados à incidência de delirium hiperativo entre pacientes adultos durante a internação em UTI. Métodos: O presente estudo é parte do Brazilian Study of Post Intensive Care Syndrome (BaSICS), uma pesquisa multicêntrica que investiga a Síndrome Pós Tratamento Intensivo na população adulta brasileira. Entre maio e dezembro de 2014, um estudo transversal multicêntrico foi realizado com todos os pacientes adultos consecutivos admitidos em duas UTIs clínico-cirúrgicas mistas no sul do Brasil. O diagnóstico de delirium hiperativo foi diagnosticado pela equipe assistencial, de acordo com os critérios do DSM-IV. Regressão logística foi realizada para verificar fatores associados ao delirium hiperativo durante a internação na UTI. Resultados: Durante o período do estudo, 124 pacientes foram avaliados. A média de idade foi de 64,5 (±16,5) anos e o escore APACHE-II médio, de 14,1 (±5,3) pontos; o tempo médio de internação na UTI foi de 8,8 (±9,5) dias. Delirium hiperativo foi diagnosticado em 25,8% (32 pacientes). A necessidade de sedação parenteral durante a internação na UTI (OR = 9,59; IC 95% = 3,42 – 26,9) e presença de comorbidades clínicas prévias, conforme o Índice de Comorbidade Charlson (OR = 1,33; IC 95% = 1,08 – 1,63), estiveram associados a uma maior ocorrência de delirium hiperativo. Por outro lado, a admissão em leito individual (OR = 0,15; IC 95% = 0,04 – 0,50) foi um fator protetor para delirium hiperativo durante a internação na UTI. Discussão: A incidência de delirium em estudos multicêntricos varia entre 45% e 87%, dependendo da população e da escala utilizada para a avaliação; a incidência apresentada neste estudo considerou apenas o deliruim hiperativo. A identificação de fatores associados à ocorrência de delirium, sobretudo fatores modificáveis, pode permitir a sua prevenção, com estratégias como melhor gestão da sedação e mudanças na arquitetura da UTI. Conclusão: A presença de comorbidades clínicas e sedação parenteral estão associadas a maior ocorrência de delirium hiperativo; a internação em quartos individuais de UTI conferiu proteção à ocorrência dessa síndrome.

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